Vertigem Rotatória: quando o mundo gira, o corpo acende um alerta
Entenda as causas, a relação com o estresse e a diferença crucial entre uma tontura comum e a temida labirintite.
A sensação é aterradora: de repente, tudo ao redor começa a girar violentamente, ou você sente que seu próprio corpo está em rotação. A vertigem rotatória não é apenas uma “tonturinha”; é um sintoma específico que indica um conflito nas informações que o cérebro recebe sobre o equilíbrio. Mas quando esse episódio deve ser motivo de preocupação imediata?
O que causa a sensação de rotação?
A vertigem rotatória ocorre, na maioria das vezes, por uma disfunção no sistema vestibular (localizado no ouvido interno). Entre as causas mais comuns, destacam-se:
- VPPB (Vertigem Posicional Paroxística Benigna): A causa mais frequente, gerada por pequenos “cristais” (otocônias) que se deslocam para os canais do ouvido interno.
- Doença de Ménière: Caracterizada por excesso de fluido no ouvido, causando vertigem, zumbido e perda auditiva.
- Neurite Vestibular: Uma inflamação do nervo que envia sinais de equilíbrio ao cérebro.

Estresse e rotina: vilões do equilíbrio?
Muitos leitores questionam se o estresse e a carga excessiva de trabalho podem causar vertigem. A resposta é sim, mas geralmente de forma indireta. O estresse crônico altera os níveis de cortisol e a pressão arterial, além de tensionar a musculatura cervical. Esses fatores podem desencadear ou agravar quadros de tontura metabólica ou visual. O “burnout” físico e mental pode tornar o sistema vestibular mais sensível a falhas.
Um caso isolado é sinal de alerta?
Não é necessário esperar por episódios frequentes para buscar ajuda. Um único episódio de vertigem rotatória intensa justifica uma consulta médica. * Se for algo rápido (segundos) ao deitar ou levantar, pode ser VPPB.
- Se for acompanhado de dor de cabeça forte, visão dupla ou dificuldade de fala, pode indicar algo neurológico (como um AVC) e exige emergência imediata.
Vertigem Rotatória vs. Labirintite: Qual a diferença?
Embora o termo “labirintite” seja usado popularmente para qualquer tontura, na medicina ele é específico:
- Labirintite: É uma infecção ou inflamação real do labirinto, geralmente acompanhada de febre ou perda de audição. É relativamente rara.
- Vertigem Rotatória: É o sintoma de que algo está errado no sistema de equilíbrio, podendo ter dezenas de causas que não envolvem inflamação do labirinto.
Diagnóstico e profissionais especializados
O profissional mais indicado para avaliar a vertigem é o Otorrinolaringologista ou o Otoneurologista (especialista em distúrbios do equilíbrio).
Exames comuns:
- Vectoeletronistagmografia (VENG): Avalia os movimentos oculares em resposta a estímulos.
- Manobra de Dix-Hallpike: Um teste físico feito no consultório para identificar o deslocamento de cristais.
- Exames de imagem: Ressonância magnética pode ser solicitada para descartar causas centrais (cérebro).
Possíveis Tratamentos
O tratamento é personalizado para a causa:
- Manobras de Reposicionamento: Movimentos físicos realizados pelo médico para colocar os “cristais” de volta ao lugar (altamente eficaz para VPPB).
- Reabilitação Vestibular: Exercícios de fisioterapia para “treinar” o cérebro a lidar com o desequilíbrio.
- Medicamentos: Supressores vestibulares ou anti-inflamatórios (apenas em fases agudas).
- Mudança de Estilo de Vida: Controle de cafeína, açúcar, hidratação e manejo do estresse.
Fontes Consultadas:
- Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF): Manuais de conduta sobre tontura e vertigem.
- Mayo Clinic: Guias sobre Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB) e Doença de Ménière.
- Ministério da Saúde (Brasil): Protocolos de atendimento para síndromes vertiginosas.
- Sociedade Brasileira de Otologia: Diferenciação clínica entre labirintopatias.



