Cutítula é a barreira invisível que você não deve romper
O hábito de roer ou remover o excesso de pele ao redor das unhas parece inofensivo, mas pode abrir as portas para infecções graves e danos permanentes. Entenda por que a cutícula é sua primeira linha de defesa.
Para muitos, o hábito de roer as unhas e cutículas é um escape para o estresse. Para outros, a remoção profunda da pele na manicure é uma questão de estética. No entanto, o que poucos percebem é que a cutícula não é um “acessório” da unha, mas sim um selo protetor vital. Romper essa barreira é, literalmente, abrir uma ferida exposta para o mundo microscópico.
A função biológica: o “lacre” de segurança
A cutícula (ou eponíquio) tem uma função clara: impedir que água, bactérias, fungos e outros detritos entrem na matriz da unha — o local onde a unha nasce. Quando removemos ou ferimos essa pele, o selo é quebrado, permitindo que patógenos invadam o tecido vivo subjacente.
Os riscos: do incômodo ao caso cirúrgico
Um pequeno ferimento na cutícula pode evoluir rapidamente para quadros complexos:
- Paroníquia Aguda: É a infecção da pele ao redor da unha. O local fica vermelho, inchado, latejante e, muitas vezes, com presença de pus. Geralmente causada por bactérias como Staphylococcus aureus.
- Micoses de Unha (Onicomicose): Sem a proteção da cutícula, fungos instalam-se na matriz, tornando a unha deformada, amarelada e quebradiça — um tratamento que pode levar meses.
- Panarício: Em casos onde a infecção progride, ela pode atingir as camadas mais profundas do dedo, causando um abscesso que exige drenagem cirúrgica.
- Erisipela e Celulite Bacteriana: Em casos extremos e em pessoas com imunidade baixa (como diabéticos), a bactéria pode entrar pela cutícula ferida e se espalhar pela corrente sanguínea ou sistema linfático, causando infecções generalizadas que podem levar à internação.
O perigo de “roer” as cutículas
Além do trauma físico, a boca é um dos lugares mais contaminados do corpo humano. Ao levar o dedo à boca para roer a cutícula, você está depositando bactérias oportunistas diretamente em uma porta de entrada aberta. O ambiente úmido da saliva facilita a proliferação desses microrganismos.
Como proteger e tratar um ferimento
Se você “tirou um bife” ou feriu a cutícula acidentalmente, a ação imediata é crucial:
- Lave imediatamente: Use água corrente e sabão neutro para remover impurezas.
- Antisséptico: Utilize uma solução antisséptica (como clorexidina) para esterilizar a área.
- Curativo Respirável: Se o ferimento estiver exposto, use um curativo (band-aid) para evitar que sujeiras entrem enquanto a pele inicia o processo de fechamento.
- Hidratação: Em vez de cortar, use cremes hidratantes específicos para cutículas. Isso as mantém finas e aderidas à unha, eliminando a “pelinha” que convida a ser puxada.
Quando procurar um médico?
Não espere o dedo “curar sozinho” se notar:
- Pus ou secreção amarelada.
- Inchaço que se espalha para o restante do dedo.
- Calor local intenso e febre.
- Linhas vermelhas subindo pelo braço (sinal de infecção linfática).
O profissional indicado para esses casos é o Dermatologista.
Fontes Consultadas:
- Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD): Orientações sobre cuidados com as unhas e riscos de infecções periungueais.
- Ministério da Saúde (Brasil): Manuais de prevenção de infecções de pele e tecidos moles.
- American Academy of Dermatology (AAD): Guia de cuidados preventivos para evitar a paroníquia.
- Mayo Clinic: Estudos sobre complicações bacterianas por traumas cutâneos leves.



