Refluxo gastroesofágico: epidemia silenciosa que já afeta 12% dos brasileiros
O refluxo gastroesofágico (DRGE) deixou de ser um incômodo ocasional para se tornar um problema de saúde pública. Estimativas do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD) indicam que cerca de 25,2 milhões de brasileiros — 12% da população — convivem com a doença. A DRGE ocorre quando o conteúdo ácido do estômago retorna ao esôfago, irritando sua mucosa, geralmente por falha do esfíncter esofágico inferior ou pela presença de hérnia de hiato, explicam especialistas do Alta Diagnósticos.
Azia não vem sozinha
A azia é o sintoma mais conhecido, mas está longe de ser o único. Queimação no peito ou na garganta, sensação de “bolo” na garganta, regurgitação, rouquidão, tosse persistente, engasgos frequentes e até apneia do sono aparecem com frequência nos consultórios. Um estudo clássico de Moraes-Filho, publicado na SciELO Brasil, aponta a azia como sinal predominante da doença, com maior incidência em mulheres e forte associação com obesidade.
Quando o refluxo vira risco
Ignorar os sintomas pode custar caro. Sem tratamento adequado, a DRGE pode evoluir para esofagite, úlceras, gastrite crônica, sinusite recorrente e, em casos mais graves, provocar aspiração pulmonar ou demandar cirurgia corretiva. A Sociedade Brasileira de Motilidade Digestiva alerta que a prevalência pode chegar a 20% em determinados grupos, aumentando significativamente o risco de complicações entre obesos e fumantes.
Tratamento começa no prato — e no hábito
O primeiro passo é mudar o estilo de vida. Comer devagar, mastigar bem, fazer refeições menores a cada 2 ou 3 horas e evitar frituras, alimentos ácidos, café, álcool, chocolate e fast-food são medidas básicas. Elevar a cabeceira da cama em cerca de 45 graus e abandonar o cigarro também fazem diferença. Quando necessário, entram em cena os medicamentos, como inibidores da bomba de prótons (IBP) e antiácidos. O diagnóstico pode envolver endoscopia, pHmetria ou exames de imagem, e a cirurgia fica reservada para casos refratários ao tratamento clínico, segundo orientações do CBCD e de serviços especializados como o Alta Diagnósticos.
Fontes: Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD); Sociedade Brasileira de Motilidade Digestiva; SciELO Brasil; Alta Diagnósticos; reportagens do G1 e sites médicos especializados.



