Março Amarelo: Endometriose não é apenas uma “Cólica Forte”
O mês de março se despede com um alerta amarelo. Enquanto celebramos as conquistas femininas, a medicina volta seus olhos para uma condição que atinge cerca de 1 em cada 10 mulheres no Brasil em idade reprodutiva: a endometriose. Silenciosa, dolorosa e muitas vezes incompreendida, a doença leva, em média, de 7 a 10 anos para ser diagnosticada corretamente, um tempo precioso que as mulheres perdem convivendo com o sofrimento.
O que acontece no corpo da mulher?
Para entender a endometriose, precisamos falar do endométrio, o tecido que reveste o útero internamente e que descama todo mês durante a menstruação. Na mulher com endometriose, células semelhantes a esse endométrio aparecem fora do útero, instalando-se em órgãos como ovários, tubas uterinas, intestinos, bexiga e até no peritônio (membrana que reveste o abdômen).
O problema é que, mesmo fora do lugar, esse tecido responde aos estímulos hormonais. Ele sangra e inflama a cada ciclo, mas não tem por onde sair, causando aderências, cistos e dores crônicas severas.
Os sinais de alerta: quando a dor não é normal?
A frase “cólica é normal” é um dos maiores obstáculos para o diagnóstico. A endometriose apresenta sinais que vão muito além de um desconforto passageiro:
- Cólicas menstruais incapacitantes: Aquelas que impedem a mulher de trabalhar, estudar ou realizar atividades básicas.
- Dor durante ou após as relações sexuais: Conhecida como dispareunia.
- Alterações intestinais ou urinárias durante o período menstrual: Dor para evacuar ou urinar, distensão abdominal e até sangramentos.
- Dor pélvica crônica: Fora do período menstrual.
- Dificuldade para engravidar: A endometriose é uma das principais causas de infertilidade feminina, embora muitas mulheres com a doença consigam engravidar com o suporte adequado.
O Caminho do Diagnóstico: Exames e Precisão
A boa notícia é que a tecnologia diagnóstica avançou muito nos últimos anos. Hoje, não é mais necessária uma cirurgia (laparoscopia) apenas para saber se a doença existe.
- Exame Clínico: A suspeita começa no consultório com um bom histórico médico e exame físico.
- Ultrassonografia Transvaginal com Preparo Intestinal: Um exame especializado que permite mapear focos da doença em órgãos vizinhos.
- Ressonância Magnética da Pelve: Essencial para identificar lesões profundas e planejar o tratamento.
Tratamento e qualidade de vida: existe cura?
A endometriose é considerada uma doença crônica, mas perfeitamente tratável. O objetivo é duplo: aliviar a dor e preservar a fertilidade.
- Medicamentoso: Uso de hormônios (anticoncepcionais, DIU hormonal ou análogos) para interromper a menstruação e controlar a inflamação, além de analgésicos potentes.
- Cirúrgico: Realizado por videolaparoscopia para remover os focos da doença e desfazer aderências. Em 2026, as técnicas robóticas têm garantido recuperações muito mais rápidas.
- Multidisciplinar: Este é o pilar moderno. Nutrição anti-inflamatória (rica em ômega-3 e baixa em ultraprocessados), fisioterapia pélvica e suporte psicológico são fundamentais para devolver a qualidade de vida à mulher.
Conclusão: Informação é Libertação
O Março Amarelo nos ensina que sentir dor não faz parte do “ser mulher”. O diagnóstico precoce evita que a doença progrida para casos graves de infertilidade ou danos a outros órgãos. Se você se identifica com esses sintomas, procure um ginecologista especializado. Sua saúde não pode esperar.
Fontes Consultadas:
- Ministério da Saúde: Protocolos de Atenção à Saúde da Mulher (Edição 2025/2026).
- FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).
- SBE (Sociedade Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva).
- Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente (IFF/Fiocruz).
- Organização Mundial da Saúde (OMS): Endometriosis Fact Sheet.



