Fisioterapia pélvica na gestação: muito além da preparação para o parto

Fisioterapia pélvica na gestação: muito além da preparação para o parto

Muitas mulheres acreditam que a fisioterapia pélvica serve apenas para quem deseja o parto normal. Isso é um mito. Independentemente da via de parto (normal ou cesárea), o corpo da gestante passa por mudanças biomecânicas e hormonais profundas que sobrecarregam a musculatura íntima.

1. Qual a importância de realizar?

O assoalho pélvico é uma “rede” de músculos que sustenta órgãos como bexiga, útero e intestino. Durante a gravidez, o hormônio relaxina deixa os ligamentos mais frouxos, e o peso extra pressiona essa rede. A fisioterapia serve para:

  • Conscientização: Muitas mulheres não sabem contrair ou relaxar o períneo corretamente.
  • Sustentação: Fortalecer para evitar a queda de órgãos (prolapsos).
  • Prevenção de disfunções: Evitar que a pressão do útero cause escapes de urina.

2. Quando iniciar e até quando deve ser feita?

  • Início: Geralmente a partir da 12ª ou 14ª semana de gestação, após a liberação do obstetra. É o momento de focar na postura e no fortalecimento preventivo.
  • Preparação para o Parto: Por volta da 34ª semana, o foco muda para o relaxamento e a elasticidade (uso do Epi-no e massagem perineal) para reduzir o risco de lacerações.
  • Duração: O acompanhamento segue até o final da gestação e deve ser retomado no pós-parto (após a quarentena) para a reabilitação definitiva.

3. Os principais benefícios

  • Controle da Bexiga: Reduz ou elimina a incontinência urinária gestacional.
  • Alívio de Dores: Melhora dores lombares e na sínfise púbica (dor no “osso da frente”).
  • Facilitação do Parto: Melhora a percepção do “puxo” (força de expulsão) e a capacidade de relaxar a musculatura para a passagem do bebê.
  • Vida Sexual: Ajuda a manter o tônus e a lubrificação, prevenindo dores na relação.

4. O impacto no pós-parto

A fisioterapia pélvica é o que garante um retorno seguro às atividades físicas. No pós-parto, ela atua na:

  • Recuperação da Diástase: Reabilitação do músculo reto abdominal que se afasta na gravidez.
  • Cicatrização: Melhora da sensibilidade e dor em cicatrizes de episiotomia ou cesárea.
  • Retorno da Função Sexual: Tratamento de possíveis desconfortos após o parto.

5. Sinais de alerta: quando procurar um especialista?

A gestante não deve esperar o parto para buscar ajuda se sentir:

  1. Escapes de urina: Ao tossir, espirrar, rir ou fazer esforço (nunca é “normal” perder urina).
  2. Sensação de peso: Sentir como se algo estivesse “saindo” pela vagina.
  3. Dor na relação sexual.
  4. Dificuldade para segurar gases.
  5. Constipação severa: Dificuldade persistente para evacuar.

Fontes Consultadas:

  • ABRAFISM (Associação Brasileira de Fisioterapia na Saúde da Mulher).
  • Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) – Protocolos de assistência pré-natal.
  • Cochrane Library – Revisões sistemáticas sobre treinamento da musculatura do assoalho pélvico no pré-natal.
  • Ministério da Saúde (Brasil) – Cadernos de Atenção Básica: Pré-natal e Puerpério.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *