Brasil adota testes moleculares para rastreamento do câncer de colo do útero

Brasil adota testes moleculares para rastreamento do câncer de colo do útero

O Ministério da Saúde oficializou uma mudança histórica na estratégia de combate ao câncer de colo do útero no Brasil. Com a publicação da Portaria que estabelece as novas Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer de Colo do Útero (Parte I), o país inicia a transição para um modelo de rastreamento organizado baseado em testes moleculares para detecção de DNA-HPV oncogênico.

A medida, amplamente aguardada pela comunidade médica e científica, coloca o Sistema Único de Saúde (SUS) na vanguarda tecnológica, substituindo ou complementando o tradicional exame de Papanicolau por métodos de biologia molecular, que possuem maior sensibilidade e permitem intervalos maiores e mais seguros entre os exames.

A Nova Tecnologia: O Fim da Era da Citologia Exclusiva?

A grande inovação reside na adoção dos testes de DNA para HPV. Enquanto a citologia (Papanicolau) analisa alterações celulares que já podem indicar uma lesão, o teste molecular identifica a presença do vírus antes mesmo de qualquer alteração celular ocorrer.

Para gestores e profissionais de saúde, isso significa uma mudança profunda na logística de atendimento. As diretrizes estabelecem novos critérios de diagnóstico e tratamento, além de mecanismos de regulação, controle e avaliação que devem ser seguidos rigorosamente por estados e municípios.

Responsabilidade e Ética no Atendimento

Um dos pontos de destaque do novo documento é a obrigatoriedade da cientificação do paciente. Médicos e unidades de saúde são agora formalmente obrigados a informar aos pacientes (ou responsáveis legais) sobre os potenciais riscos, efeitos colaterais e eventos adversos de qualquer procedimento ou medicamento indicado.

Esta diretriz reforça o direito à autonomia do paciente e a transparência no processo de cuidado, garantindo que a transição tecnológica seja acompanhada de uma sólida base ética.

O Desafio da Implementação nos Municípios

A portaria é clara ao definir que cabe aos gestores estaduais, distritais e municipais a estruturação da rede assistencial. No cenário das consultorias e assessorias públicas — área de grande relevância para o planejamento estratégico — o desafio será mapear os fluxos de atendimento e definir os serviços de referência.

A transição para testes moleculares exige:

  1. Capacitação Técnica: Treinamento de equipes para a nova forma de coleta e interpretação de resultados.
  2. Infraestrutura Laboratorial: Adaptação ou contratação de laboratórios com tecnologia de PCR ou similar.
  3. Planejamento Estratégico: Ajuste do orçamento municipal para suportar o custo inicial da tecnologia, visando a economia de longo prazo pela redução de casos avançados da doença.

Por que a mudança é necessária?

O câncer de colo do útero é uma das doenças com maior potencial de prevenção, mas continua apresentando altos índices de mortalidade no Brasil, especialmente em regiões com menor acesso a exames preventivos regulares. O rastreamento organizado, agora preconizado pelo INCA, visa reduzir as disparidades regionais e garantir que a detecção ocorra em estágios iniciais, onde a chance de cura é próxima de 100%.

Com as novas diretrizes, o Ministério da Saúde sinaliza que a inteligência de dados e a tecnologia molecular são os pilares para uma gestão pública de saúde mais eficiente e humana.


Este texto reflete as diretrizes aprovadas em agosto de 2025 pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA).

Fonte: Site do Ministério da Saúde

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