Mpox em 2026: o que você precisa saber sobre a doença e a situação no Brasil
A Mpox voltou às manchetes internacionais recentemente devido à descoberta de novas cepas (variantes), mas é fundamental entender que, no Brasil, o cenário é de monitoramento ativo e controle, sem motivo para pânico, mas com necessidade de informação correta.
1. O que é a Mpox e qual sua origem?
A Mpox é uma zoonose viral (doença transmitida de animais para humanos) causada pelo vírus Mpox (MPXV), que pertence à mesma família da varíola humana.
- Origem: O vírus foi descoberto pela primeira vez em 1958, em macacos de laboratório (daí o nome antigo), mas os principais hospedeiros na natureza são roedores africanos. O primeiro caso humano foi registrado em 1970, na República Democrática do Congo.
2. Como acontece a contaminação?
A transmissão ocorre principalmente pelo contato próximo e direto:
- Pele com pele: Contato com as lesões (bolhas e feridas) de uma pessoa infectada.
- Contato íntimo: Relações sexuais são uma via importante de transmissão documentada nos surtos recentes.
- Objetos contaminados: Compartilhar toalhas, lençóis, roupas ou talheres usados por alguém com lesões ativas.
- Gotículas: Contato prolongado e muito próximo (frente a frente) através de secreções respiratórias.
3. O que acontece com a pessoa infectada? (Sintomas)
O período de incubação (do contágio até os primeiros sinais) varia de 3 a 21 dias. Os sintomas costumam seguir esta ordem:
- Sinais Iniciais: Febre súbita, dor de cabeça forte, dores musculares, cansaço e ínguas (linfonodos inchados no pescoço ou virilha) — este último é o sinal que mais diferencia a Mpox de outras doenças de pele.
- Erupções Cutâneas: Surgem manchas que evoluem para bolhas, depois pústulas (com pus) e, por fim, crostas que caem. Elas podem aparecer no rosto, mãos, pés, região genital ou anal.
- Gravidade: Na maioria das pessoas, a doença é autolimitada (cura sozinha em 2 a 4 semanas). No entanto, em pacientes imunossuprimidos, crianças e gestantes, podem ocorrer complicações como pneumonia e infecções cerebrais.
4. A situação no Brasil e em Santa Catarina (Dados de 2026)
O Brasil mantém uma rede de vigilância eficiente para identificar casos rapidamente.
- Brasil: Até o final de fevereiro de 2026, o país registrou cerca de 90 casos confirmados, concentrados majoritariamente em São Paulo e Rio de Janeiro. A boa notícia é que a imensa maioria dos casos é leve e não houve registros de óbitos no ano corrente até o momento.
- Santa Catarina: O estado permanece em situação estável. Em fevereiro de 2026, a DIVE/SC reportou apenas um caso confirmado e alguns casos suspeitos em investigação (especialmente na Grande Florianópolis). O número de notificações em 2026 é significativamente menor do que no mesmo período de 2025, indicando uma queda na circulação do vírus no estado.
5. O que o governo está fazendo?
As ações governamentais focam em três pilares:
- Vigilância e Diagnóstico: O SUS está aparelhado com testes de PCR específicos para Mpox em laboratórios de referência (como o LACEN em SC).
- Vacinação Estratégica: A vacina não é para a população geral, mas sim para grupos de alto risco (imunossuprimidos graves e profissionais de laboratório que manipulam o vírus) e para pessoas que tiveram contato de alto risco com casos confirmados.
- Monitoramento de Variantes: O Ministério da Saúde monitora a possível entrada da nova cepa (Clado 1b), que circulou na África e Europa em 2025, mas que ainda não foi detectada no Brasil até esta data.
Dica
Se você notar qualquer lesão suspeita na pele, acompanhada de febre ou ínguas, procure uma Unidade Básica de Saúde. O isolamento precoce é a melhor forma de proteger sua família e amigos.
Fontes Consultadas:
- Ministério da Saúde (gov.br): Boletins Epidemiológicos de Arboviroses e Mpox (Fevereiro/2026).
- DIVE/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina): Informe Epidemiológico nº 01/2026 – Mpox.
- Agência Brasil (EBC): Dados consolidados sobre casos de Mpox no território nacional.
- Organização Mundial da Saúde (OMS): Notas técnicas sobre as novas variantes e clados do vírus MPXV.



