Sarampo: o desafio do reaparecimento de uma doença evitável

Sarampo: o desafio do reaparecimento de uma doença evitável

O sarampo é uma doença viral aguda, grave e extremamente contagiosa. Causada por um vírus do gênero Morbillivirus, ela pode atingir pessoas de qualquer idade, mas o quadro costuma ser mais severo em crianças pequenas e adultos com o sistema imunológico debilitado.

Manifestação e sintomas

A doença não se resume a manchas vermelhas na pele. Ela se manifesta em fases:

  1. Fase Inicial (Prodromal): Febre alta (acima de 39°C), tosse persistente, coriza e conjuntivite (olhos vermelhos e lacrimejantes).
  2. Sinal de Koplik: Pequenos pontos brancos com halo avermelhado que surgem na mucosa interna da boca, um sinal específico do sarampo.
  3. Fase Exantemática: As manchas vermelhas (exantema) aparecem primeiro no rosto e atrás das orelhas, espalhando-se para o tronco e membros nos dias seguintes.

Transmissão: o poder do contágio

O vírus é transmitido de forma direta, de pessoa para pessoa, através de secreções expelidas ao tossir, espirrar, falar ou respirar.

  • Aerosol: O vírus pode permanecer suspenso no ar em ambientes fechados por até duas horas após a pessoa infectada ter deixado o local.
  • Alta Taxa: Uma única pessoa com sarampo pode infectar, em média, de 12 a 18 pessoas não imunizadas.

Tratamento e riscos

Não existe tratamento antiviral específico para o sarampo. O manejo é focado no suporte:

  • Hidratação e repouso.
  • Controle da febre com antitérmicos.
  • Suplementação de Vitamina A: Recomendada pela OMS para todas as crianças diagnosticadas, pois reduz significativamente a gravidade e o risco de morte.

Os Riscos:

O sarampo pode evoluir para complicações graves, como:

  • Pneumonia (principal causa de morte por sarampo em crianças).
  • Encefalite (inflamação do cérebro).
  • Cegueira e surdez.
  • Diarreia grave, levando à desidratação.

O reaparecimento no Brasil: o cenário atual

O Brasil recebeu o certificado de “País Livre do Sarampo” em 2016, mas perdeu esse status em 2019 após surtos causados pela baixa cobertura vacinal e importação de casos.

  • Regiões Afetadas: Atualmente, o vírus circula de forma mais preocupante nas regiões Norte e Sudeste, com estados como Amapá, Pará, Rio de Janeiro e São Paulo registrando casos e monitoramento constante.
  • O que está sendo feito: O Ministério da Saúde intensificou a “Estratégia de Vacinação Ininterrupta” e ações de bloqueio vacinal (vacinar todos ao redor de um caso suspeito em até 72 horas). O foco é retomar a meta de 95% de cobertura vacinal em todo o território nacional para recuperar o certificado de eliminação.

Vacinação: a única barreira eficaz

A vacina é segura, gratuita e disponível no SUS. Ela faz parte da vacina Tríplice Viral (que protege contra Sarampo, Caxumba e Rubéola).

Esquema Vacinal (Calendário Nacional):

  • 1ª Dose: Aos 12 meses de idade.
  • 2ª Dose: Aos 15 meses de idade (geralmente com a vacina Tetra Viral, que inclui Varicela).
  • Adultos até 29 anos: Devem ter comprovadas duas doses na caderneta.
  • Adultos de 30 a 59 anos: Devem ter comprovada pelo menos uma dose.

Dose Zero: Em períodos de surto, bebês de 6 a 11 meses podem receber a “dose zero”, mas esta não substitui as doses do calendário regular aos 12 e 15 meses.


Fontes consultadas:

  • Ministério da Saúde – Portal Saúde de A a Z (Sarampo)
  • Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS)
  • Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)
  • Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) – Bio-Manguinhos

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