O que os seus pés dizem sobre sua saúde? Além do ressecamento

O que os seus pés dizem sobre sua saúde? Além do ressecamento

Ter os pés secos, com aquela aparência de “casca dura” e rachaduras (fissuras), é uma queixa comum, especialmente em pessoas idosas. No entanto, o que parece ser apenas um problema estético pode ser um sinal de alerta do corpo.

1. É apenas falta de hidratação?

Na maioria das vezes, sim. A pele dos pés é naturalmente mais espessa e não possui glândulas sebáceas (que produzem óleo), apenas glândulas sudoríparas.

  • Atrito e Pressão: O uso de chinelos abertos e o excesso de peso aumentam o atrito, fazendo com que a pele produza mais queratina para se proteger, criando a calosidade.
  • Envelhecimento: Com o passar dos anos, nossa pele perde a capacidade de reter água e a produção de colágeno diminui, tornando os idosos mais propensos à xerose cutânea (secura extrema).

2. Quando o problema é interno: vitaminas e doenças

Se a hidratação externa não resolve, o corpo pode estar sinalizando carências ou patologias:

  • Deficiências Vitamínicas: A falta de Vitamina A, Vitamina E e complexo B (especialmente a B3 ou niacina) compromete a barreira cutânea e a renovação celular.
  • Diabetes Mellitus: Pés muito secos em diabéticos podem indicar neuropatia. A falta de sensibilidade e a diminuição da sudorese nos pés fazem com que a pele rache severamente, o que é uma porta de entrada perigosa para infecções.
  • Problemas de Tireoide: O hipotireoidismo reduz a atividade das glândulas sudoríparas, levando a um ressecamento severo dos calcanhares.
  • Micoses e Psoríase: Às vezes, o que parece “pele seca” é uma infecção fúngica ou uma condição inflamatória que requer antifúngicos ou corticoides.

3. Formas de tratamento

O tratamento depende da causa e pode ser dividido em três frentes:

Mudança de hábitos

  • Hidratação Interna: Beber água é o primeiro passo para a elasticidade da pele.
  • Calçados: Evitar andar descalço ou usar calçados muito abertos por tempo prolongado.
  • Não lixar excessivamente: Lixar o pé com força causa um “efeito rebote”; o corpo entende a agressão e produz uma pele ainda mais grossa.

Uso externo (tópico)

  • Cremes com Ureia: São os mais indicados (geralmente entre 10% e 20%). A ureia é um queratolítico que quebra a pele dura e hidrata profundamente.
  • Lactato de Amônio e Ácido Salicílico: Ajudam a remover as células mortas e suavizar a textura.

Intervenção médica

  • Se houver dor, sangramento nas rachaduras ou se o paciente for diabético, a consulta com um dermatologista ou podólogo é indispensável. Pode ser necessário o uso de pomadas com antibióticos ou exames de sangue para repor vitaminas.

Fontes consultadas:

  1. Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD): Orientações sobre cuidados com a pele do idoso e xerose cutânea.
  2. Ministério da Saúde (Brasil): Cadernos de Atenção Básica – Manual do Pé Diabético.
  3. Mayo Clinic (EUA): Diagnóstico de pele seca (Xerosis) e fissuras no calcanhar.
  4. Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé (ABTPé): Informações sobre biomecânica e saúde dos pés.

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