Enxaqueca: entendendo a doença neurológica por trás da dor

Enxaqueca: entendendo a doença neurológica por trás da dor

Diferente de uma cefaleia tensional comum, a enxaqueca envolve uma hipersensibilidade do sistema nervoso e a liberação de substâncias inflamatórias ao redor dos vasos sanguíneos cerebrais.

1. Como identificar: os sintomas clássicos

A enxaqueca raramente vem sozinha. Ela apresenta características específicas:

  • Dor Pulsátil: Geralmente em apenas um lado da cabeça (unilateral).
  • Intensidade: De moderada a severa, impedindo atividades rotineiras.
  • Sintomas Associados: Náuseas, vômitos, e sensibilidade extrema à luz (fotofobia), ao som (fonofobia) e até a cheiros (osmofobia).
  • Aura: Cerca de 20% dos pacientes veem pontos brilhantes, linhas em zigue-zague ou sentem formigamentos antes da dor começar.

2. Gatilhos: o que desencadeia a crise?

A enxaqueca tem causas genéticas, mas o que “liga” a crise são os gatilhos. Eles variam de pessoa para pessoa:

  • Alimentares: Embutidos (nitratos), queijos amarelos (tiramine), chocolate, adoçantes (aspartame), excesso de café ou abstinência dele, e bebidas alcoólicas (especialmente vinho tinto).
  • Hormonais: Queda de estrogênio no período pré-menstrual.
  • Estilo de Vida: Jejum prolongado, privação de sono (ou dormir demais) e estresse emocional.

3. Diagnóstico e exames

Importante: O diagnóstico da enxaqueca é estritamente clínico.

  • Exames de imagem (Tomografia ou Ressonância): São solicitados apenas para excluir outras doenças (tumores, aneurismas) se houver mudança no padrão da dor. Não existe um exame que “mostre” a enxaqueca.
  • Profissional indicado: O Neurologista é o especialista habilitado para diagnosticar e tratar a condição.

4. Tratamentos disponíveis e últimas descobertas

O tratamento moderno é dividido em dois pilares:

Tratamento Abortivo (Para parar a dor)

Uso de analgésicos comuns, anti-inflamatórios ou triptanos (específicos para enxaqueca). O uso excessivo destes medicamentos (mais de 2 dias por semana) pode causar o efeito rebote, piorando a doença.

Tratamento Profilático (Para prevenir que a dor venha)

Indicado para quem tem 2 ou mais crises por mês.

  • Medicações orais: Neuromoduladores, betabloqueadores e antidepressivos.
  • Toxina Botulínica: Aplicada em pontos específicos da cabeça e pescoço para casos crônicos.
  • A Grande Novidade (Anticorpos Monoclonais): A última fronteira do tratamento. São injeções mensais que bloqueiam a proteína CGRP (Peptídeo Relacionado ao Gene da Calcitonina), que é a principal responsável pela inflamação e dor na enxaqueca.

Checklist: o que fazer durante uma crise?

  1. Repouso: Vá para um ambiente escuro e silencioso imediatamente.
  2. Medicação Precoce: Tome o remédio prescrito pelo médico logo nos primeiros sinais (não espere a dor ficar insuportável).
  3. Hidratação: Beba água, pois a desidratação agrava o quadro.
  4. Compressas: Compressas frias na testa ou nuca podem ajudar na vasoconstrição e alívio local.

Fontes consultadas:

  • SBCe (Sociedade Brasileira de Cefaleia): Consenso Brasileiro sobre o Tratamento da Enxaqueca.
  • Academia Brasileira de Neurologia (ABN): Manuais de conduta para cefaleias.
  • Mayo Clinic (EUA): Protocolos internacionais de diagnóstico e novos fármacos (Anti-CGRP).
  • Ministério da Saúde (Brasil): Protocolos do SUS para atendimento de cefaleias.

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